Email misterioso
da “Sra. BOURLON” promete projetos e conversas — mas é um golpe de aproximação
Um novo email fraudulento anda a circular com um tom diferente do habitual.
Em vez de ameaças ou prêmios falsos, traz um convite vago para conversar sobre “projetos” e ideias inspiradoras.
O remetente assina como “Sra. Valerie BOURLON” e escreve de um endereço curioso: jared.blas@colegiounion.edu.pe.
À primeira vista, parece um contacto inofensivo — até simpático. Mas é mais uma fraude de aproximação emocional, também conhecida como scam de relacionamento ou isca social (social bait scam).
O email e a sua estratégia subtil

A mensagem começa de forma calma e quase poética:
“Sou a Sra. BOURLON, não sei bem porquê, mas senti a necessidade de lhe escrever, mas certos impulsos merecem ser seguidos.”
É uma frase cuidadosamente construída para despertar empatia e curiosidade.
Em vez de vender algo ou pedir dinheiro, o burlão lança uma linha de confiança — um pretexto emocional para que a vítima responda.
Posteriormente, o email menciona “projetos para o final do ano” e termina com um convite informal:
“Deixo-lhe o meu endereço de e-mail, caso queira prolongar esta discussão:
valeriebourlon@aol.com”
O detalhe interessante é o contraste entre o remetente (@colegiounion.edu.pe) — um domínio educacional do Peru — e o contacto de resposta (@aol.com), uma plataforma antiga e fora do contexto.
Essa combinação é típica de esquemas em que os criminosos usam endereços temporários ou comprometidos para contornar filtros de spam.
Que tipo de fraude é esta?
Este golpe é um exemplo de engenharia social — uma técnica que explora emoções humanas em vez de falhas técnicas.
Neste caso, o burlão procura estabelecer um diálogo inicial que possa evoluir para vários caminhos:
- Romance scam: fingir interesse pessoal e depois pedir ajuda financeira.
- Golpe de herança ou investimento: prometer parcerias, doações ou fundos.
- Phishing relacional: conquistar confiança para, mais tarde, obter dados pessoais ou bancários.
O tom é intencionalmente neutro e positivo. O objetivo é simples: fazer a vítima responder.
Como identificar este tipo de mensagem
- Remetentes incoerentes. Um domínio escolar do Peru não faz sentido num contacto pessoal europeu.
- Tom vago e emocional. Palavras como “impulso”, “inspiração” e “destino” são comuns em fraudes afetivas.
- Ausência de conteúdo real. O email fala muito, mas não diz nada concreto.
- Endereço de resposta diferente. Este é um truque clássico para desviar a comunicação do canal inicial.
- Envio em massa. A presença do teu email em “Bcc” (cópia oculta) indica envio coletivo para várias vítimas potenciais.
O que deve fazer
- Não responda. Mesmo uma resposta inocente confirma que o endereço está ativo.
- Não clique em links nem abra anexos. Mesmo que o email pareça inofensivo.
- Apague o email e marque como spam. Isso ajuda o sistema a filtrar futuras mensagens semelhantes.
- Informe familiares ou colegas menos experientes. Este tipo de fraude costuma visar pessoas solitárias ou idosas.
- Mantenha o antivírus ativo e atualize os filtros de spam do serviço de email.
Porque é que estas fraudes continuam a circular
Porque apelam à curiosidade humana.
Enquanto uns golpes ameaçam, outros seduzem. O burlão sabe que o medo nem sempre funciona — então usa empatia, gentileza e uma dose de mistério.
O truque é simples: criar conversa antes de criar o golpe.
É o primeiro passo de um jogo psicológico que, com o tempo, pode levar a pedidos de dinheiro, chantagem emocional ou roubo de identidade.
Conclusão
O email da “Sra. BOURLON” é mais uma armadilha bem disfarçada.
Atrás do tom educado e das palavras amáveis, esconde-se uma tentativa de manipulação emocional.
A recomendação é clara: não responda, não alimente o diálogo e siga em frente.
No mundo digital, a desconfiança educada é a melhor defesa.
Como se costuma dizer aqui no Aldrabiçes: se a conversa começa vaga, é porque o fim já está planeado.
