Falsa Interpol ameaça prisão
Falsa Interpol ameaça prisão por “visitar site ilegal” — cuidado com esta nova burla de extorsão
Um novo esquema de extorsão digital anda a circular em Portugal, desta vez disfarçado de mensagem oficial da Polícia Judiciária e da Interpol.
O email afirma que o destinatário cometeu um “ato ilegal na Internet” e será preso se não responder em 48 horas. O tom é alarmista, repleto de ameaças e referências falsas a artigos do “código de processo penal”.

À primeira vista, o email parece vir de uma autoridade legítima, com o remetente “Direção de repressão da PJ mretamales.gonzalez@colegioercilla.cl”.
Mas o domínio chileno (.cl) e o endereço genérico já bastam para levantar suspeitas. Nenhuma instituição portuguesa envia notificações legais a partir de escolas no Chile.
O conteúdo intimidatório
A mensagem começa com um cabeçalho em letras maiúsculas — “COMETEU UM ATO ILEGAL NA INTERNET – ESTÁ CONVOCADO” — seguido de referências a supostos crimes graves, como pedofilia e pornografia infantil.
Estes termos são escolhidos de propósito para causar pânico e vergonha, duas emoções que enfraquecem o pensamento racional.

O texto, assinado por um tal “Comissário Divisionário Mateus Costa da Silva Couto”, ameaça o leitor com mandado de prisão, julgamento e difamação pública, a menos que responda.
Logo depois, convida-o a escrever para um e-mail da Gmail: info.gouv.brigade.mineurs@gmail.com — algo totalmente incompatível com o funcionamento de qualquer polícia real.
Trata-se de uma tática psicológica conhecida como “sextortion scam” — um tipo de fraude que tenta levar a vítima a responder por medo, e assim obter dados pessoais, dinheiro ou até acesso remoto ao computador.
Que tipo de fraude é esta?
Este é um golpe de extorsão digital.
O objetivo não é prender ninguém, mas sim amedrontar o destinatário até este responder.
Ao fazê-lo, o criminoso ganha dois trunfos: confirmação de que o email está ativo e abertura para chantagem direta.
Por vezes, os burlões pedem pagamentos em criptomoeda, alegando que é a única forma de “evitar o processo”.
Em outros, limitam-se a recolher dados pessoais para futuros ataques de phishing.
Como reconhecer este tipo de burla
- Linguagem ameaçadora. Nenhum órgão policial envia notificações por email a ameaçar prisão imediata.
- Endereços suspeitos. Domínios estrangeiros (
.cl,.ru,.mx) e contas Gmail ou Outlook são sinais claros de fraude. - Erros gramaticais. Os burlões traduzem textos automaticamente, por conseguinte gera frases confusas e artigos errados (“artigo 390.o-1”).
- Assinaturas inventadas. Nomes de supostos comissários ou chefes inexistem nos registos públicos.
- Pedidos de resposta. Qualquer pedido para “explicar o seu ato” ou “contactar por email” é parte da armadilha.
O que deve fazer
- Não responda. Ignorar é a melhor defesa.
- Não envie dados pessoais. Pois, nenhuma polícia pede justificações por email.
- Não clique em links nem descarregue anexos. Podem conter software malicioso.
- Marque o email como spam e apague-o de imediato.
- Informe as autoridades reais, como a Polícia Judiciária (portal do cibercrime), enviando o email como prova.
- Fale com familiares. Estas fraudes atacam sobretudo quem se assusta facilmente com a ideia de estar em apuros.
Porque é que estes emails funcionam
Porque usam o medo como arma.
Os burlões sabem que a simples menção a crimes graves bloqueia a capacidade de raciocinar.
Misturam nomes oficiais, logótipos falsos e linguagem jurídica para criar uma aparência de autoridade.
No entanto, basta um olhar atento para perceber o absurdo: a Interpol não envia ameaças por Gmail, nem a PJ convoca suspeitos por correio eletrónico.
Qualquer comunicação legítima virá por carta registada ou contacto direto, nunca por email com emojis de polícia.
Em resumo,
A chamada “Direção de repressão da PJ” é pura ficção digital.
Nenhuma entidade portuguesa ou internacional envia avisos de prisão por email — e muito menos a partir de domínios sul-americanos.
Portanto, o objetivo destes criminosos é simples: assustar para extorquir.
A recomendação é direta: ignore, apague e siga a sua vida.
Quem age com base no medo, entrega o poder ao burlão.
Como dizemos aqui no Aldrabiçes: a Interpol não escreve com erros de ortografia, nem usa Gmail.
